A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp inaugurou, em 26 de junho, uma exposição permanente dedicada à preservação de sua memória institucional. A mostra, sediada no saguão da Diretoria, reúne objetos que retratam momentos da trajetória da unidade desde sua criação, em 1963, até iniciativas recentes de ensino, pesquisa, assistência e vida estudantil. A inauguração ocorreu durante a 5ª Reunião Ordinária da Congregação de 2026, a última sob a gestão do diretor Cláudio Coy.
Organizada a partir do acervo do Centro de Memória da FCM, a mostra reúne equipamentos científicos, instrumentos laboratoriais, peças utilizadas em atividades de ensino, medalhas, camisetas e outros objetos que documentam a evolução da Faculdade e da medicina ao longo das últimas décadas.
Cada item é acompanhado de um texto que contextualiza sua importância histórica, elaborado por André Martho Domingues, bolsista da Biblioteca e licenciado em Letras, com base em pesquisa histórica. A curadoria e a coordenação da exposição, assim como o projeto gráfico e a organização do guia, ficaram a cargo de Rosana Evangelista, coordenadora da Biblioteca.
A iniciativa segue as diretrizes do Conselho Internacional de Museus (Icom), que define as coleções museológicas como elementos que devem ser acessíveis ao público, preservando e divulgando o conhecimento científico. A exposição é aberta tanto à comunidade interna — docentes, pesquisadores e estudantes — quanto a visitantes externos.

De acordo com os organizadores, cada peça tem sua significação descrita e sua procedência registrada, para que o visitante compreenda não apenas o objeto em si, mas o contexto histórico e científico que ele representa. A mostra foi viabilizada por meio de proposta contemplada integralmente no Edital Programa de Auxílio a Projetos Institucionais (PAPI) da Unicamp.
Estrutura do projeto
Carlos Correa, o Calucho, coordenador docente da biblioteca da FCM, apresentou o projeto à Congregação como uma iniciativa que já vinha sendo amadurecida havia algum tempo e que, na atual gestão dos professores Coy e Erich, ganhou um formato mais consistente. Segundo Calucho, o Centro de Memória é composto por documentos, objetos museológicos e registros institucionais, com a coleção já integralmente organizada para a inauguração.
O projeto se estrutura em três finalidades: análise e conexão entre personagens, documentos e peças museológicas; curadoria e contextualização histórica, situando cada objeto em seu contexto original; e divulgação científica, tornando o acervo acessível ao público por meio da exposição permanente.
De acordo com o coordenador, esse fluxo garante rigor científico em cada fase, assegurando que cada item seja apresentado com sua plena carga histórica e simbólica. “Um aspecto central do projeto é o envolvimento de estudantes de pós-graduação em todas as etapas de investigação e interpretação dos objetos, o que amplia as perspectivas de análise e capacita novos pesquisadores em metodologias de história da ciência e curadoria museológica”, afirma.
Confira o guia da exposição: https://portal.fcm.unicamp.br/wp-content/uploads/sites/58/2026/06/Guia-da-exposicao.pdf

O acervo
O professor Rubens Bedrikow, do Grupo de Estudos História das Ciências da Saúde, apresentou a coleção à Congregação. Segundo ele, cada coleção leva o nome de quem doou as peças ao Centro de Memória: Gustavo Pereira Fraga, Antonio Jofre de Vasconcelos, Oswaldo Vital Brasil, José Lopes de Faria, Silvio dos Santos Carvalhal, além da Coleção Documental e do Acervo Geral.
Entre os objetos expostos estão a Medalha da XIII Pré-Intermed (1987), a Carteirinha do Centro Acadêmico Adolfo Lutz (1968), a Identidade Estudantil da Unicamp (1971), o Convite-Programa do Baile de Calouros (1966), o Convite de Formatura da Turma de 1971 e a Camiseta Comemorativa dos 40 Anos da FCM (2003).
O professor Coy agradeceu à comissão da biblioteca, em especial a Rosana, a Calucho e a Rubens. Ele destacou que o Centro de Memória é também gerador de pesquisa, com trabalhos produzidos por alunos de graduação e pós, e afirmou que essa atividade vai além da preservação do patrimônio institucional da Faculdade.
Histórico: origem da Faculdade e do Centro de Memória

Rubens leu à Congregação um trecho do texto de 2019, “O futuro da FCM: estudar e preservar sua memória”, que resgata o início da Faculdade.
“A primeira aula na Faculdade de Medicina de Campinas foi proferida pelo reitor da Universidade de São Paulo, Antonio Barros de Ulhôa Cintra, no Teatro Municipal a 20 de maio de 1963. […] A cidade contava então com menos de 250.000 habitantes. Muitos ainda circulavam de bonde […] As aulas nos laboratórios da maternidade de Campinas e a prática clínica nas enfermarias de assoalho de madeira, pé direito alto, amplas janelas da Santa Casa de Misericórdia, estão na memória dos 50 alunos da primeira turma.”
Rubens também lembrou o grupo de estudos História das Ciências da Saúde, criado em 2008 pelo professor Everardo Duarte Nunes, que promoveu reuniões científicas mensais com historiadores convidados e cursos de difusão abertos à população, inspirados no modelo da Sorbonne. Um dos exemplos citados por Rubens foi o curso sobre epidemias organizado em 2018, ano do centenário da gripe espanhola, que discutiu desde a peste negra até as epidemias de cólera, varíola, meningite e Aids.
Centro de Memória
O Centro de Memória da FCM foi inaugurado em 26 de maio de 2008, e seu regulamento foi aprovado em 30 de outubro de 2009. Atualmente vinculado à Biblioteca da FCM, reúne a Comissão Setorial de Arquivos, o grupo de estudos História das Ciências da Saúde e os setores de gestão documental, arquivo permanente, pesquisa, atendimento e divulgação. Sua atuação é voltada à preservação do patrimônio documental da Faculdade e à garantia de acesso às informações sob sua guarda, disponibilizadas à comunidade interna e externa da Universidade para fins de pesquisa, educação e produção do conhecimento.
