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Unicamp e Ministério da Saúde desenvolvem protocolos para integrar saúde física e mental

O Ministério da Saúde (MS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão elaborando acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos voltados à integração entre saúde física e mental no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca qualificar o atendimento a pessoas com transtornos mentais graves na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp organiza o grupo de professores e pesquisadores de todo o país, coordenado pelo professor Paulo Dalgalarrondo. A primeira reunião ocorreu em 1º de dezembro, em Brasília.

A parceria reúne especialistas de todo o país e tem como objetivo central a criação de guias de boas práticas baseados em evidências científicas. O foco está no cuidado integral, no uso racional de psicofármacos e no manejo clínico adequado nos serviços da RAPS, com vistas à redução das desigualdades em saúde.

Expectativa de vida reduzida preocupa autoridades

Pessoas com transtornos mentais graves vivem até 20 anos a menos que a população em geral, e essa diferença tem aumentado nas últimas décadas, segundo estudos citados pelo diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati Dias.

Um homem de meia-idade, com cabelos castanhos ondulados e óculos, gesticula com a mão direita levantada enquanto fala em um microfone. Ele está sentado em uma mesa de conferência e veste uma camisa polo preta. Outras pessoas, parcialmente visíveis, estão sentadas ao lado dele na bancada.
Paulo Dalgalarrondo, da FCM, coordena o grupo. Foto: Rafaela Stuckert/MS

“É muito importante que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os profissionais de toda a RAPS tenham acesso a guias de boas práticas que envolvam exames e avaliações periódicos”, afirmou Dias durante encontro realizado com pesquisadores da área de psiquiatria.

Uso indiscriminado de medicamentos no alvo

Outro ponto crítico abordado pela cooperação é a prescrição inadequada de psicotrópicos no SUS. Atualmente, mais da metade das pessoas que utilizam antidepressivos e ansiolíticos inicia o tratamento sem diagnóstico preciso e sem orientação sobre a duração do uso, o que aumenta o risco de dependência crônica e contribui para a medicalização excessiva da vida.

“Enfrentar a medicalização da vida passa pela melhoria do diagnóstico, da prescrição e, principalmente, da retirada de medicações”, destacou o diretor. Com a parceria, serão produzidos guias de prescrição e acompanhamento clínico que orientem os profissionais de saúde sobre práticas mais racionais e seguras.

Visão de uma plateia em um auditório durante uma apresentação ou conferência. Várias pessoas, de diversas idades e vestimentas, estão sentadas em cadeiras estofadas escuras. O primeiro plano mostra uma mulher de calça verde escura e uma mulher de calça branca, e um homem de terno escuro olhando para seu celular.
Professores da FCM participam da primeira reunião, ocorrida em Brasília. Foto: Rafaela Stuckert/MS

Próximos passos

O acordo de cooperação técnica prevê a elaboração de protocolos clínicos que serão implementados em toda a rede de saúde mental do país. O próximo encontro entre o Ministério da Saúde e os pesquisadores da Unicamp está agendado para abril, na FCM, quando serão detalhadas as estratégias de implementação dos novos protocolos.

A iniciativa integra as ações do governo federal para o fortalecimento da atenção à saúde mental no Brasil.

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