O Ministério da Saúde (MS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão elaborando acordo de cooperação técnica para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos voltados à integração entre saúde física e mental no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca qualificar o atendimento a pessoas com transtornos mentais graves na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp organiza o grupo de professores e pesquisadores de todo o país, coordenado pelo professor Paulo Dalgalarrondo. A primeira reunião ocorreu em 1º de dezembro, em Brasília.
A parceria reúne especialistas de todo o país e tem como objetivo central a criação de guias de boas práticas baseados em evidências científicas. O foco está no cuidado integral, no uso racional de psicofármacos e no manejo clínico adequado nos serviços da RAPS, com vistas à redução das desigualdades em saúde.
Expectativa de vida reduzida preocupa autoridades
Pessoas com transtornos mentais graves vivem até 20 anos a menos que a população em geral, e essa diferença tem aumentado nas últimas décadas, segundo estudos citados pelo diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati Dias.

“É muito importante que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os profissionais de toda a RAPS tenham acesso a guias de boas práticas que envolvam exames e avaliações periódicos”, afirmou Dias durante encontro realizado com pesquisadores da área de psiquiatria.
Uso indiscriminado de medicamentos no alvo
Outro ponto crítico abordado pela cooperação é a prescrição inadequada de psicotrópicos no SUS. Atualmente, mais da metade das pessoas que utilizam antidepressivos e ansiolíticos inicia o tratamento sem diagnóstico preciso e sem orientação sobre a duração do uso, o que aumenta o risco de dependência crônica e contribui para a medicalização excessiva da vida.
“Enfrentar a medicalização da vida passa pela melhoria do diagnóstico, da prescrição e, principalmente, da retirada de medicações”, destacou o diretor. Com a parceria, serão produzidos guias de prescrição e acompanhamento clínico que orientem os profissionais de saúde sobre práticas mais racionais e seguras.

Próximos passos
O acordo de cooperação técnica prevê a elaboração de protocolos clínicos que serão implementados em toda a rede de saúde mental do país. O próximo encontro entre o Ministério da Saúde e os pesquisadores da Unicamp está agendado para abril, na FCM, quando serão detalhadas as estratégias de implementação dos novos protocolos.
A iniciativa integra as ações do governo federal para o fortalecimento da atenção à saúde mental no Brasil.
