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Conferência com Marco Antônio de Carvalho Filho discute desafios do ensino de graduação em Medicina na FCM

A palestra “Desafios do ensino de graduação em Medicina” foi realizada em 26 de fevereiro na sala da Congregação da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Foi proferida por Marco Antônio de Carvalho Filho, professor de Research in Health Profession Education do University Medical Center Groningen e ex-docente da FCM. Durante a apresentação, ele compartilhou experiências desenvolvidas no exterior e refletiu sobre questões atuais da educação médica.

“É uma alegria muito grande ver tantas pessoas queridas que foram tão importantes na minha vida e trajetória. É uma emoção e uma responsabilidade enormes também, porque quando estou diante de vocês, eu volto a ser aluno. O que resolvi fazer é um apanhado do que temos feito no lugar onde trabalho e como que temos articulado alguns dos desafios que estão sendo enfrentados”.

Foto em grupo com dezessete participantes alinhados à frente de uma parede laranja. À esquerda, uma tela de projeção exibe o título de uma apresentação.
Médicos e docentes participaram da conferência

Ao longo da conferência, Carvalho Filho discutiu abordagens pedagógicas que valorizam a relação entre professores e estudantes e a formação em medicina. O pesquisador destacou a importância de práticas educacionais que estimulem conexões entre o futuro médico, os pacientes e a sociedade. Nesse contexto, mencionou influências da pedagogia de Paulo Freire e a necessidade de cultivar esperança e criatividade no processo de aprendizagem.

“Eu preciso criar essa sensação no aluno, de que o sistema de saúde está em construção e isso aqui é temporário. Nós precisamos dele para dar o próximo passo, fazer isso acontecer, porque as coisas não acabaram ainda. E isso traz a possibilidade de você investigar de forma diferente e aí você convida a criatividade de novo”.

O conferencista também apresentou exemplos de atividades pedagógicas utilizadas em cursos e residências médicas, como simulações clínicas voltadas para aspectos emocionais, discussões sobre vulnerabilidade profissional e exercícios de reflexão com música e teatro. Segundo ele, essas estratégias ajudam estudantes e residentes a desenvolver empatia, consciência emocional e capacidade de lidar com situações complexas do cuidado em saúde.

Palestrante de camisa branca aponta para um slide sobre educação médica em um auditório. Ao lado da tela, as bandeiras de São Paulo e do Brasil.
Em destaque, o palestrante Marco Antônio de Carvalho Filho

“As relações professor-aluno e médico-paciente são muito parecidas. Ambas são baseadas na assimetria de poder vinculada à posição e conhecimento. Então, não haverá cuidado centrado na pessoa sem ensino centrado no aluno”.

Na parte final da conferência, Carvalho Filho ressaltou que processos de reforma curricular devem considerar não apenas conteúdos e desempenho, mas também experiências formativas que permitam transformação pessoal e profissional. Para o pesquisador, o ensino médico precisa criar espaços de diálogo e aprendizagem mútua entre docentes e estudantes, fortalecendo valores como empatia, abertura e colaboração.

“Eu acredito que amor e alegria é a conversa da motivação final. Por que não tentar trabalhar com emoções que vão fazer mais sentido pra nossa vida? Acho que momentos como o da reforma curricular são também para a gente pensar sobre isso: como criar essas oportunidades de transformação nesse mundo caótico, neoliberal e baseado na performance”.

Homem de camisa branca gesticula com o dedo para cima enquanto conversa com uma mulher de blusa rosa em uma sala de reuniões. Ao fundo, outro casal conversa.
Participantes conversam ao final da conferência
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