Pacientes diabéticos apresentam alto riso de complicações macrovasculares, que são as principais causas de mortalidade nestes indivíduos. As plaquetas são peças-chave na formação de trombo e complicações
macrovasculares de pacientes diabéticos. Fisiopatologicamente, plaquetas se ativam ao entrarem em contato com o colágeno vascular e outras proteínas da matriz extracelular que são expostas em áreas de dano. A hiperglicemia crônica existente no diabetes induz a geração de produtos finais de glicação avançada (AGEs), que se acumulam em artérias e podem induzir a glicação de proteínas de vida longa, como o colágeno. Estes AGEs atuam através da ativação de cascatas de sinalização via receptor dos produtos finais de glicação avançada (RAGE). Dados da literatura descrevem efeitos conflitantes da glicação do colágeno na agregação plaquetária. Logo, não há clareza sobre como a glicação do colágeno influencia o processo de formação de trombo. Dessa forma, a hipótese deste trabalho é que a glicação do colágeno desencadeia uma série eventos bioquímicos e moleculares que resultam em hiperatividade plaquetária e aumento da formação de trombo.

Buscamos entender como plaquetas e células endoteliais ‘sentem’ o colágeno quando este se encontra glicado, na tentativa de identificar um novo mecanismo envolvido no evento isquêmico do paciente diabético. Se o colágeno tem uma meia-vida longa (15 anos), a correção da glicemia talvez não impacte nas moléculas que já se encontram glicadas na vasculatura. Neste projeto realizamos ensaios com células isoladas de seres humanos, células em cultura, animais de laboratório e pacientes. Nosso foco no momento encontra-se em identificar um mecanismo que explique os efeitos do colágeno glicado nas células endoteliais e nas plaquetas.