Evento reuniu gestores, pesquisadores e profissionais da saúde para discutir Covid longa, saúde mental, cuidados paliativos, racismo, acolhimento da população LGBTQIAPN+ e outros desafios

A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp reuniu nesta sexta-feira (7) gestores municipais, representantes do controle social, docentes, pesquisadores e estudantes no 1º Encontro do Controle Social e Gestores Municipais da Região de Campinas e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva: Políticas e Gestão em Saúde.
Realizado no contexto dos projetos de extensão apoiados pelo Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG/CAPES), o evento debateu temas como Covid longa, saúde mental, racismo, cuidados paliativos, atenção primária e intersetorialidade, articulando gestores municipais, pesquisadores e profissionais da saúde em torno de desafios concretos do Sistema Único de Saúde (SUS).
Além de apresentar resultados acadêmicos, o encontro foi pensado como um espaço de troca entre quem pesquisa, quem trabalha na rede e quem participa da formulação das políticas públicas. Ele inaugura uma série de seis reuniões previstas para discutir situações concretas dos municípios e pensar possibilidades de atuação da universidade em parceria com as redes locais de saúde.
“A gente cumpre um papel de intercâmbio, de efetivar um diálogo permanente e parcerias que respondam às necessidades reais do SUS, o que está, de fato, na vida dos usuários”, afirmou a professora Daniele Pompei Sacardo, coordenadora do programa.

Segundo ela, as pesquisas e os produtos técnicos desenvolvidos pelos estudantes têm contribuído para a formulação e a reorientação de políticas públicas, respondendo a problemas identificados pelos próprios profissionais do SUS em seus territórios de atuação.
Um dos exemplos apontados por ela foi a construção de uma política regional de cuidados paliativos, baseada em diagnóstico realizado com gestores e profissionais de diferentes níveis de atenção, que hoje subsidia a implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos na região.
Também foram apresentados produtos voltados à educação permanente, como um guia de apoio ao acolhimento da diversidade nos serviços de saúde, com foco na população LGBTQIAPN+, na população trans e na implementação da Política Integral de Saúde da População Negra.
🌟 Nota máxima no CAPES. Daniele ainda ressaltou que o programa alcançou recentemente a nota 5 da CAPES, a mais alta possível para mestrados profissionais, e atribuiu o resultado à qualidade das pesquisas realizadas em parceria entre estudantes e docentes.
Produção científica voltada para a comunidade

A aproximação entre pós-graduação, extensão e transformação da realidade foi enfatizada pela pró-reitora de Pós-Graduação da Unicamp, Cláudia Vianna Maurer. Ela defendeu que a extensão não pode ser tratada como atividade separada da pesquisa e da formação acadêmica, mas como parte de uma mesma estratégia de atuação da universidade pública. Segundo ela, o mestrado profissional traz profissionais dos serviços para a universidade, qualifica-os cientificamente e os devolve aos seus locais de atuação com maior capacidade de promover mudanças.
Na avaliação do diretor da FCM, Erich Vinicius de Paula, as ações desenvolvidas fora dos muros da universidade são estratégicas para que a instituição mantenha relevância social e fortaleça sua relação com os municípios da região. Para ele, a integração entre pós-graduação, pesquisa e extensão é fundamental para ampliar o impacto social da universidade pública.
A aproximação entre a FCM e o SUS Campinas foi apresentada no encontro como uma construção desenvolvida ao longo de décadas, marcada pela circulação de profissionais, estudantes e pesquisadores entre a universidade e a rede municipal de saúde. Ex-aluna da faculdade e atualmente diretora do Departamento de Ensino, Pesquisa e Saúde Digital da Secretaria Municipal de Saúde, Marcelle Regina Silva Benetti afirmou que essa ponte continua sendo percebida no cotidiano dos serviços, onde trabalhadores do SUS recorrem à universidade em busca de apoio técnico e científico para enfrentar desafios concretos da assistência.
“Queremos qualificar o SUS através dos trabalhadores, chegando no usuário, mas dentro da realidade, não uma coisa utópica”, afirmou a representante da Secretaria Municipal de Saúde de Campinas.
A dimensão histórica dessa relação foi ampliada pelo professor Rubens Bedrikow, representante da Pró-Reitoria de Extensão, Esporte e Cultura, que lembrou que o Departamento de Saúde Coletiva mantém uma tradição de atuação extra-muros desde a década de 1960, quando estudantes e docentes já desenvolviam atividades em comunidades de Campinas. Para ele, a extensão não é apenas uma atividade complementar, mas um processo permanente de diálogo com a sociedade, capaz de gerar novas perguntas de pesquisa e novas formas de ensino.
Também participaram da mesa de abertura Fabiola Taufic Monica Iglesias, da Comissão de Pós-Graduação, e Sérgio de Lucca, chefe Departamento de Saúde Coletiva.
Painéis abordam Covid longa, saúde mental, racismo e cuidados paliativos

Ao longo do dia, os debates percorreram temas que têm mobilizado os serviços de saúde da região, como Covid longa e atenção primária, saúde mental, cuidados paliativos, saúde da população negra, aleitamento materno, qualidade na atenção básica e intersetorialidade entre saúde e assistência social.
A programação científica foi organizada em torno de experiências e pesquisas desenvolvidas no próprio programa de pós-graduação. Na abertura dos painéis, o professor Herling Gregório de Alonzo contextualizou o papel do mestrado profissional na articulação entre pesquisa, extensão universitária e gestão municipal.
As apresentações reuniram tanto pesquisas concluídas quanto projetos em andamento, além de materiais elaborados em parceria com as redes municipais de saúde. A proposta foi mostrar como o conhecimento produzido na universidade pode apoiar decisões de gestão, organização do cuidado, formação de profissionais e implementação de políticas públicas
A expectativa é que as discussões se convertam em novos projetos, produtos técnicos e ações capazes de responder aos desafios concretos do SUS. Como sintetizou o professor Rubens Bedrikow, “a gente precisa fazer pesquisa na comunidade, com a comunidade, para a comunidade”.
Sobre o PPG em Saúde Coletiva
O Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Unicamp forma mestres e doutores nas áreas de Epidemiologia, Política, Planejamento e Gestão em Saúde e Ciências Sociais em Saúde, com abordagem interdisciplinar e multiprofissional. Fortemente integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), a serviços de saúde e a instituições de pesquisa do Brasil e do exterior, o programa desenvolve pesquisas e produtos voltados aos desafios concretos da saúde pública. Alcançando a nota 5 da CAPES — a mais alta possível para mestrados profissionais — o programa tem egressos que hoje ocupam posições de destaque no SUS, em universidades públicas e em instituições de pesquisa no Brasil e no exterior.




