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No dia 2 de junho, o auditório principal da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp recebeu as comemorações dos 25 anos do Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) do Centro Integrado de Pesquisas Oncohematológicas na Infância (Cipoi). O evento reuniu autoridades da área da saúde, alunos e colaboradores da instituição.

Compuseram a mesa de abertura Cláudio Coy, diretor da FCM; Antonio Gonçalves de Oliveira Filho, assessor docente da Área Saúde da Unicamp; Silvia Brandalise, fundadora do Cipoi; Natan Monsores de Sá, coordenador-geral de doenças raras do Ministério da Saúde; Carmela Grindler, coordenadora estadual do Programa Nacional de Triagem Neonatal; Maria Cecília Oliveira, presidente da Associação dos Familiares, Amigos e Pessoas com Doenças Graves, Raras e Deficiências; e Vitória Régia Pereira Pinheiro, coordenadora do SRTN. A cerimônia teve também apresentação de integrantes da Orquestra Sinfônica da Unicamp.

Fotografia em plano aberto de um grupo de cerca de vinte pessoas posadas lado a lado em um palco de madeira. Ao fundo, uma grande tela de projeção exibe o texto "25 anos da Triagem Neonatal - SRTN • CIPOI • FCM • UNICAMP".
Equipe do SRTN

Ao abrir os trabalhos, Vitória Régia destacou que a celebração dos 25 anos é, antes de tudo, uma homenagem à trajetória de Silvia Brandalise. “Com todo o seu perfil de visão, liderança e de talento transformador, ela em 1988 fundou o Cipoi com a missão de pesquisa na área de Hematologia e Oncologia”, afirmou. Sobre o início do SRTN, em 1992, destacou também o pioneirismo de Brandalise na detecção em recém nascidos hemoglobinopatia no sangue de cordão umbilical. A coordenadora citou ainda os desafios futuros do centro, como o fortalecimento de parcerias institucionais governamentais e com associações; integração da inteligência artificial na pesquisa e assistência; e do alto custo. Encerrou agradecendo aos profissionais da equipe que atuam dentro e fora da Unicamp, nos pontos de coleta.

Em seguida, Silvia Brandalise discorreu sobre o impacto do diagnóstico precoce da doença falciforme proporcionado pela triagem neonatal. “O que nós vimos com esse diagnóstico as crianças não morriam mais”, disse, lembrando que os índices de mortalidade infantil e antes dos 30 anos associados à enfermidade caíram significativamente. Para ela, “cada conquista é um novo desafio”, já que o cuidado com doentes crônicos precisa se estender até a vida adulta. Brandalise mencionou também os avanços no tratamento do câncer infantil: “Fico feliz de ver que foi possível numa doença de menos de 10% sobreviviam, hoje estamos num patamar de 84%”. A fundadora do Cipoi encerrou sua fala reforçando a importância da parceria entre sociedade e universidades para a construção de um mundo melhor.

Vista de trás da plateia em um auditório, de frente para o palco. No palco, uma mulher discursa em um púlpito de madeira à direita, enquanto uma mesa comprida com quatro pessoas sentadas ocupa o centro-esquerda. Ao fundo, uma grande tela projeta slides sobre o "Centro Integrado de Pesquisas Oncohematologicas na Infância (CIPOI)".
Vitória Régia Pinheiro em apresentação sobre o Cipoi

Carmela Grindler agradeceu a oportunidade de participar da celebração e apresentou dados sobre o trabalho realizado pelo estado de São Paulo no cuidado às crianças com doenças raras. Ela reforçou que o diagnóstico e a intervenção terapêutica precoces mudam a história natural das doenças, melhoram o prognóstico dos pacientes e representam economia para a saúde pública, ressaltando a importância da sustentabilidade financeira do SUS, o maior sistema público de saúde do mundo.

Por fim, Cláudio Coy, diretor da FCM, destacou o privilégio de a faculdade sediar o evento e observou que o Cipoi, apesar de sua relevância, ainda é pouco conhecido fora do meio ligado à triagem neonatal. Ele atribuiu o surgimento e o crescimento do centro à visão de Silvia Brandalise, capaz de reunir as pessoas certas para colocar o projeto em funcionamento dentro do ambiente universitário. Coy reconheceu ainda os desafios enfrentados pelo centro, como limitações orçamentárias e de espaço físico, defendendo a necessidade de expansão da estrutura para atender às novas demandas do programa. Ele parabenizou todos os profissionais que construíram a trajetória do centro ao longo dos 25 anos.

Retrato de plano médio de uma mulher de óculos e jaleco branco sobre uma blusa estampada, falando ao microfone atrás de um púlpito de madeira. Ela tem o cabelo castanho curto, segura o microfone com a mão direita e gesticula com o dedo indicador da mão esquerda levantado.
Silvia Brandalise

SRTN

No âmbito da Triagem Neonatal, o Cipoi realizou desde 1992 trabalho pioneiro na realização de exames diagnósticos do sangue de cordão para hemoglobinopatias, propiciando o diagnóstico precoce, orientação genética e acompanhamento dos doentes homozigotos, os quais são inseridos no Programa de Atenção ao Doente Falciforme. Hoje, também trabalha na criação de biblioteca celular para estudo da evolução clínica de pacientes leucêmicos. O centro é responsável pela Triagem Neonatal dos nascidos vivos das Diretorias Regionais de Saúde de Campinas, São João da Boa Vista, Bauru, Marília e Presidente Prudente, compreendendo cerca de 8 mil bebês por mês.  

Confira a transmissão do evento na integra:

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