Conteúdo principal Menu principal Rodapé
Imprensa Principal

Cuidado a pessoas com transtornos relacionados a bets é tema de capacitação na FCM

Cerca de 100 profissionais de saúde e estudantes participaram, na manhã da última sexta-feira (15), de uma capacitação sobre cuidado a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas eletrônicas (bets). Realizado no anfiteatro Paulistão, na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, o encontro foi promovido pelo Ambulatório de Substâncias Psicoativas (Aspa), em parceria com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e com apoio da Coordenadoria de Extensão da FCM.

A ideia foi discutir a rede e fluxo de cuidado entre os diversos pontos da RAPS, debatendo atualização sobre o tema e formas de qualificar o cuidado. Participaram profissionais de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços voltados à comunidade universitária.

A programação abordou o cenário atual dos problemas relacionados a jogos e apostas, especificidades do atendimento a adolescentes e discussão de casos clínicos, já atendidos no ambulatório. As atividades foram conduzidas por Felipe Santaella, especializado em Psiquiatria pela FCM; Maurício Sant’ana, psicólogo do programa de treinamento em serviço; e Renata Azevedo, professora do Departamento de Psiquiatria e coordenadora do Aspa.

Auditório com dezenas de pessoas sentadas acompanhando uma apresentação. À frente da sala, uma palestrante fala ao público enquanto um slide projetado na parede exibe a imagem de uma sala de aula. O ambiente possui cadeiras universitárias, quadro verde e iluminação baixa.
Renata Azevedo, coordenadora do Aspa, fala aos profissionais e estudantes

Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas sobre o tema (Lenad III), apresentados durante o evento, apontam que usuários de sites e aplicativos de apostas têm probabilidade quatro vezes maior de desenvolver problemas com jogos; o público adolescente e a população de menor renda apresentam risco triplicado; já entre os homens, a incidência é o dobro.

De acordo com Renata, o transtorno de jogo, também chamado de ludopatia, se caracteriza pela perda de controle sobre o início, a frequência, a intensidade e a duração; pela priorização crescente da aposta em detrimento de outros interesses; e pela continuidade do comportamento mesmo diante de consequências negativas.

Entre as ferramentas apresentadas para apoio a profissionais e usuários estão o aplicativo Meu SUS Digital, do Ministério da Saúde, que oferece teleatendimento e possibilita a autoexclusão de plataformas de bets; o curso Direitos dos Consumidores e as Bets, do Ministério da Justiça e Segurança Pública; e o Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, também da Saúde.

Homem de cabelos grisalhos e barba fala ao microfone em frente a um slide intitulado “A Dinâmica de Funcionamento do Grupo”. A apresentação mostra tópicos relacionados a grupos de apoio e identificação entre pares.
Psicólogo Maurício Sant’ana

Renata destacou ainda estratégias de prevenção e redução de danos voltadas aos usuários, como definição de limites de gastos, monitoramento do tempo de jogo, uso de ferramentas de autoexclusão e busca por apoio profissional.

“No caso dos adolescentes, é recomendada atenção ao padrão de uso de dispositivos digitais e investigação de possíveis comorbidades, como o consumo de substâncias psicoativas. Demonstrar interesse genuíno pelo que aparece no digital é relevante para o vínculo”, afirma a docente.

Homem de barba e óculos, vestido com camisa preta, segura um microfone durante palestra. Ao fundo, há um slide projetado com ilustração de celular e trechos de texto sobre tecnologia e uso de dispositivos digitais.
Psiquiatra Felipe Santaella
Ir para o topo