Na tarde de 31 de março, representantes das Comissões Internas de Biossegurança de 13 unidades da Unicamp se reuniram no anfiteatro 3 da Faculdade de Ciências Médicas (FCM). O objetivo foi promover a troca de experiências práticas sobre a gestão da biossegurança e construir soluções colaborativas para os desafios comuns enfrentados pelas comissões no dia a dia da pesquisa com organismos geneticamente modificados (OGMs).
A abertura dos trabalhos coube a Patrícia Oliveira Araújo, representante da CIBio da FCM. Em sua fala, ela ressaltou a importância do encontro diante do cenário atual. “É uma ideia que faz muito sentido para todos e que vem ao encontro do que estamos precisando neste momento, que é nos fortalecer”, afirmou.
A CIBio da FCM, fundada em 1998, é composta por cinco membros — a presidente, a professora Iscia Lopes Cendes, três biólogas e uma secretária. Desde 2019 instalada na unidade, a comissão registrou, no último relatório à CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), 40 projetos ativos, dos quais quase 30 envolvem animais transgênicos em nível de biossegurança 1 (NB1), além de projetos com fungos, células e NB2 com lentivírus e adenovírus.

Além da FCM, participaram do encontro representantes das unidades FCA, FCF, FEA, FEQ, FOP, IB, IQ, CBMEG, CEMIB, CPQBA, HC e Hemocentro. O painel de apresentações revelou uma realidade diversa: comissões com quase duas décadas de atuação e alta demanda, como a do IB — com 18 membros e 47 projetos —, dividem desafios com comissões recém-constituídas, como a do HC, cuja portaria foi publicada há quatro meses.
Entre os principais temas debatidos, destacou-se a proposta de criação de um curso de capacitação institucional unificado, com módulos específicos por tipo de organismo — animais, plantas, bactérias e vírus —, voltado tanto a alunos ingressantes quanto a docentes sem experiência prévia com OGMs.
O formato do seminário obrigatório de biossegurança também gerou debate, sobre a adoção do modelo presencial versus online. Outro ponto de atenção foi a interpretação de algumas resoluções normativas da CTNBio, cujas ambiguidades geram insegurança e decisões divergentes entre as comissões.
Ao longo do encontro, ficou evidente que a diversidade de perfis, demandas e interpretações entre as unidades reforça a necessidade de um espaço comum de diálogo. O evento foi considerado pelos participantes um passo concreto rumo à consolidação de protocolos compartilhados e ao fortalecimento da rede de segurança laboratorial da Unicamp.
