
A Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp realizou, nos dias 18 e 19 de março, a Avaliação de Competências Clínicas dos estudantes do 4º ano de Medicina. A atividade integra o novo currículo do curso, que passou a incorporar o Internato Médico já nessa etapa da formação.
Segundo a coordenadora pedagógica da FCM, Silvia Riceto, o objetivo é verificar se as habilidades desenvolvidas ao longo dos estágios foram efetivamente adquiridas, complementando os demais instrumentos avaliativos. “As provas são realizadas com pacientes simulados em cenários adaptados de atendimento médico. Os avaliadores utilizam um checklist padronizado de itens que devem ser observados ao longo da prova”, explicou.
Nesse modelo, os pacientes simulados são estudantes de outros cursos da Universidade, treinados de acordo com as características de cada estação. Implantada em 2007, a avaliação foi suspensa durante a pandemia e retomada gradualmente em algumas disciplinas, sendo agora aplicada ao final de cada estágio.
As provas do primeiro dia abrangeram clínica médica, ginecologia e obstetrícia e pediatria, com foco na Atenção Primária à Saúde, desenvolvida nas Unidades Básicas de Saúde de Campinas. No segundo dia, as avaliações contemplaram medicina interna, dermatologia, cuidados paliativos, saúde coletiva, cirurgia, oftalmologia, otorrinolaringologia e neurologia.
As atividades do segundo dia estiveram vinculadas aos estágios realizados no Hospital de Clínicas da Unicamp e no Hospital Estadual de Sumaré. A participação de áreas como oftalmologia e otorrinolaringologia na avaliação do 4º ano foi destacada como um avanço na formação do médico generalista.
O professor Roberto José Negrão Nogueira destacou a importância da atividade e do feedback oferecido aos estudantes. Segundo ele, esse retorno permite explicar que, além de direcionar melhor o exame físico, é necessário estabelecer prioritariamente o diagnóstico sindrômico para um raciocínio clínico adequado.

A professora Rebecca Maunsell ressaltou a relevância da participação das especialidades na avaliação. Segundo ela, a experiência foi extremamente positiva e reforça a importância dessas áreas na atuação do médico generalista.
Para o estudante Doriel Ferreira de Jesus Alves, a atividade foi enriquecedora. “Em cada estação, era necessário conduzir o atendimento, desde a abordagem inicial até o raciocínio clínico e a tomada de decisão, o que exigia não só conhecimento técnico, mas também empatia e comunicação adequada”.
“A fidelidade das simulações contribuiu muito para que nos sentíssemos, de fato, inseridos em um contexto real de prática médica. Após o tempo determinado, tínhamos a oportunidade de encerrar a estação e receber feedback imediato dos professores”, relatou.
Segundo ele, apesar do nervosismo inicial, a atividade contribui para o desenvolvimento de segurança e preparo. “São experiências como essa que nos preparam para os desafios da vida profissional, contribuindo para maior segurança, raciocínio clínico e tranquilidade diante de cenários reais”.
A organização da avaliação envolve uma equipe ampla, com participação de docentes, comissões acadêmicas e equipes técnicas. Professores elaboram as provas e treinam os atores, enquanto o Centro de Simulação Realística prepara os cenários e a Coordenadoria de Graduação organiza a logística.
De acordo com Silvia Riceto, o trabalho integrado dessas equipes é fundamental para garantir a qualidade do processo avaliativo e a formação dos estudantes.
