O boletim “Mortalidade por Neoplasia de Cólon e Reto” foi apresentado na manhã do último dia 6, no Teatro Bento Quirino, em Campinas. A atividade integrou a campanha Março Azul Marinho, sobre o câncer colorretal, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Campinas e contou com palestra da professora Marilisa Berti de Azevedo Barros, do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.
O material foi elaborado em parceria entre o Centro Colaborador em Análise de Situação de Saúde (CCAS) da FCM, coordenado por Marilisa, e o Departamento de Vigilância em Saúde da SMS. A publicação reúne análises sobre a mortalidade por neoplasia — comumente conhecida como câncer — colorretal no município e integra as ações de divulgação de informações epidemiológicas produzidas pelas instituições. Acesse o boletim completo pelo link.
“O boletim mostra que em 2023, em Campinas, as neoplasias persistem como o segundo principal grupo de causas de mortalidade, superado apenas pelo grupo das doenças cardiovasculares, e que um em cada cinco óbitos dos moradores do município é provocado por algum tipo de câncer”, afirmou Marilisa.
Segundo os dados apresentados, no período de 2020 a 2023, o câncer colorretal aparece como a terceira causa de morte por neoplasia entre homens e a segunda entre mulheres. O boletim também aponta mudanças no perfil da doença ao longo do tempo, com diferenças importantes entre os sexos.

Entre os indicadores analisados estão a incidência da doença, as taxas de mortalidade e os dados de sobrevida ao longo das últimas décadas. As análises mostram transformações no comportamento da doença no município ao longo dos anos.
Entre 1991-95 e 2015-19, os resultados das análises apresentadas no boletim revelam que a incidência do câncer colorretal aumentou 74% nos homens e 51% nas mulheres, a taxa de óbitos subiu 25% no sexo masculino e se manteve no feminino e a sobrevida em cinco anos cresceu 30% entre os homens e 35% entre as mulheres.
“Assim, nos três indicadores, os resultados são mais favoráveis no sexo feminino: menor aumento da incidência, sem alteração da mortalidade e com sobrevida um pouco superior ao dos homens”, explicou a docente.
Outro ponto destacado pelo estudo é a relação entre o câncer colorretal e as desigualdades sociais no município. A análise comparou dados de incidência e mortalidade entre áreas com diferentes níveis de vulnerabilidade social.

“O câncer colorretal que apresentava maior incidência e mortalidade nos segmentos de melhor nível socioeconômico vem mudando o seu perfil de distribuição na população, o que é mostrado pelos dados deste boletim”, disse Marilisa.
Os resultados mostram que, entre 2010-14 e 2015-19, houve declínio de 15,2% na incidência e de 8,1% nos óbitos entre moradores de áreas de baixa vulnerabilidade social. No mesmo período, foi registrado aumento de 50,4% na incidência e de 55,4% na mortalidade entre moradores de áreas de maior vulnerabilidade.
A professora também ressaltou que a menor realização de exames preventivos entre pessoas com menor renda e escolaridade pode contribuir para esse cenário. Dados do inquérito ISACamp indicam que o exame de sangue oculto nas fezes, por exemplo, é mais frequente entre moradores com maior nível socioeconômico.
“O CCAS em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde vem ao longo dos anos divulgando boletins como parte do Projeto de Monitoramento da Mortalidade do Município de Campinas, que foi iniciado em 1989. Este, de número 61, foi o primeiro a tratar especificamente sobre o câncer colorretal”, destacou.

Colaboraram com o boletim pesquisadores do CCAS, entre elas Maria do Carmo Ferreira. Segundo ela, o câncer colorretal representa um importante problema de saúde pública no Brasil e no mundo.
“A escolha de fazer um boletim sobre o câncer colorretal se dá pela sua magnitude na incidência e mortalidade. É o terceiro mais comum no mundo, sendo estimado que tenha ocorrido em 2022 cerca de 1,9 milhões de casos, correspondendo a 9,6% de todas as neoplasias. Em relação à mortalidade, ocupa a terceira posição, com 903.859 óbitos registrados em nível mundial. No Brasil, é o segundo câncer mais incidente em ambos os sexos, excluindo os de pele não melanoma”.
Ainda de acordo com Maria do Carmo, o diagnóstico precoce contribui para a identificação do câncer num estágio mais inicial, consequentemente melhorando o prognóstico, possibilitando tratamentos menos invasivos e aumento da sobrevida e da qualidade de vida.
