O Laboratório de Genética Molecular do Câncer (Gemoca) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp realizou, em fevereiro, a oficina “Plásticos invisíveis: disruptores endócrinos e riscos à saúde”, no contexto do Programa de Auxílio a Projetos Institucionais (Papi), da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (Deape). Foram quatro encontros, com participação aberta ao público.
A atividade teve como objetivo conscientizar a população sobre os riscos dos disruptores endócrinos presentes nos plásticos e seus impactos na saúde humana e no meio ambiente. Durante as sessões, foram apresentadas evidências científicas sobre a exposição a esses compostos químicos, sua possível relação com doenças como o câncer e os desafios envolvidos na avaliação dos efeitos dessas substâncias na saúde.
Segundo Laura Ward, docente do Departamento de Clínica Médica da FCM e coordenadora do Gemoca, o grupo tem como uma de suas principais linhas de pesquisa o impacto dos disruptores endócrinos, especialmente sobre a função tireoidiana e o câncer de tireoide, cuja incidência vem aumentando no Brasil e em outros países. “Um dos motivos atribuídos ao aumento do câncer, assim como de uma série de outras doenças, são substâncias químicas chamadas disruptores endócrinos, como aquelas presentes nos plásticos”, explica.
Entre os compostos estudados pelo grupo estão o bisfenol A (BPA), um dos principais componentes dos plásticos produzidos em larga escala no Brasil e no mundo, e os ftalatos. A doutoranda Elisângela Teixeira desenvolve pesquisa sobre o BPA, enquanto a mestranda Isabela Cardoso investiga os efeitos dos ftalatos em culturas de células, analisando sua atuação sobre vias relacionadas à gênese tumoral. Ambas participaram da oficina como bolsistas do Papi. A aluna Sophia de Alcantara, do programa Pesquisador em Medicina (MD-PhD), também colaborou ministrando aulas.
Além da produção científica, o grupo tem como compromisso ampliar o diálogo com a sociedade. “Somos uma universidade pública trabalhando com temas importantes para a saúde de todos. É fundamental que a população conheça e valorize aquilo que está sendo fomentado com seus recursos”, afirma Laura.

Nesse sentido, o laboratório participa regularmente de ações de extensão, como o programa Ciência e Arte nas Férias, destinado aos estudantes do Ensino Médio de escolas públicas da região de Campinas, e o UniversIDADE, voltado ao público com 50 anos ou mais. Também mantém a divulgação das ações e dos resultados das pesquisas em suas redes sociais (@labgemoca).
As aulas da oficina foram organizadas em formato expositivo, seguidas de discussão com os participantes. Foram abordadas as evidências científicas disponíveis, as dificuldades em avaliar os efeitos das substâncias nocivas sobre a saúde, além das normas de regulação e proteção já existentes e dos caminhos para seu aprimoramento.
A programação incluiu quatro encontros temáticos: fundamentos científicos sobre plásticos e desreguladores endócrinos; identificação e impactos ambientais; prática de descarte e demonstração da migração de compostos químicos; e, por fim, uma síntese com foco na educação como ferramenta de transformação ambiental.
A docente ressalta que a divulgação de iniciativas desse tipo é fundamental para ampliar o alcance das ações e fortalecer a conscientização sobre os riscos associados aos plásticos. De acordo com Laura, para os estudantes envolvidos, preparar e ministrar aulas para o público geral contribui para o desenvolvimento pedagógico e a capacidade de traduzir resultados científicos de forma clara e acessível.
Por fim, a docente ressalta ainda que a iniciativa é fundamental e precisa ser continuamente fortalecida, inclusive com apoio financeiro, para garantir sua sustentabilidade e ampliar seu alcance. Segundo ela, o investimento é essencial para valorizar o empenho dos estudantes e incentivar, de forma concreta, sua participação e protagonismo em ações que aproximam ciência e sociedade.

