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O Centro de Investigação em Pediatria (CIPED), em parceria com o Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, realizou em 11 de fevereiro evento alusivo ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. O encontro reuniu docentes, pesquisadoras e estudantes para debater a presença feminina na produção científica, os desafios de carreira e estratégias institucionais para ampliar a equidade de gênero no ambiente acadêmico.

Na mesa de abertura, a coordenadora do CIPED, Adyleia Toro, destacou que a data, instituída em 2015 pela ONU, representa conquistas, mas também disparidades persistentes. “Apesar de chegar nesse ponto onde conseguimos estudar e ocupar uma posição importante, ainda existe uma desigualdade muito grande”, afirmou. Ela ressaltou que a participação feminina é semelhante à masculina na pós-graduação, porém diminui nos níveis mais altos da carreira, e apontou a maternidade e a falta de tempo protegido para pesquisa como fatores que impactam a progressão profissional.

Representando a diretoria da FCM, Marilda Mazzali enfatizou a importância da mentoria intergeracional e relatou iniciativas voltadas ao tema em sociedades científicas. “As gerações mais velhas são facilitadoras das novas gerações”, disse. A docente também observou que, embora haja maioria feminina na formação médica, a presença diminui em cargos de chefia, e propôs reflexão sobre as escolhas profissionais e os custos pessoais associados às posições de liderança.

Sala de aula com cerca de vinte pessoas sentadas em cadeiras com prancheta, assistindo a uma apresentação. A maioria são mulheres, algumas com crachá, olhando para a frente com atenção. No fundo há um quadro branco e uma pessoa em pé próxima à parede. Em primeiro plano aparece uma mesa com computador, controle remoto e papéis.
Público participa de palestra no CIPED

A chefe do Departamento de Pediatria, Adriana Gut, abordou dificuldades específicas na especialidade e na ocupação de funções estratégicas. “Se a gente não enfrentar o estereótipo, a gente não consegue avançar”, afirmou. Para ela, a expectativa de comportamentos associados ao cuidado pode limitar a percepção sobre a capacidade das profissionais em lidar com situações complexas, o que contribui para retração diante de desafios de gestão e pesquisa.

O coordenador da pós-graduação em Saúde da Criança e do Adolescente, Marcos Nolasco, apresentou dados que indicam maior presença feminina entre discentes desde os anos 2000 e diferenças no tempo de conclusão do mestrado e doutorado relacionadas à maternidade. Ele destacou como avanço a inclusão da licença-maternidade no currículo Lattes e contextualizou o debate em mudanças históricas mais amplas sobre cidadania feminina e participação social, ainda desiguais em escala global.

Após a abertura, houve palestra da professora Rosana Onocko, que trouxe reflexões sobre trajetórias acadêmicas, escolhas profissionais e desafios enfrentados por jovens pesquisadoras. O encontro foi finalizado com espaço de diálogo, no qual participantes compartilharam experiências e propostas para políticas institucionais voltadas à permanência e progressão de mulheres na ciência. O encerramento contou com homenagem às cientistas e lançamento da Agenda Anual CIPED – Mulheres na Ciência, reforçando o compromisso com a pauta.

Mulher de meia-idade, com cabelos castanhos ondulados na altura dos ombros, fala em pé diante de uma tela de projeção. Ela veste blusa verde-clara sem mangas, usa crachá, relógio inteligente e segura as mãos enquanto explica algo, com expressão séria e concentrada.
Adyleia Toro, coordenadora do CIPED e anfitriã do evento
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