A exposição “Borboletas um vôo à liberdade”, do ateliê Vivenciando a Arte, foi inaugurada no dia 10 no Espaço das Artes da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. A mostra apresenta telas em tinta a óleo que exploram a temática do inseto símbolo da transformação. A mostra coletiva fica aberta à visitação até 22 de dezembro, das 9h às 17h.
Durante a abertura, a artista plástica e arteterapeuta Márcia Quaiatti dirigiu-se ao público presente. “Obrigada pela presença, por prestigiar os artistas. São trabalhos maravilhosos. Eu conto como surgiu o tema sobre borboletas. Desde janeiro eu brinco com eles. Eu falo: ‘Ah, eu preciso viajar porque tem meus insights quando eu viajo sobre a o que que nós vamos pintar.’ E eu viajei”, relatou. Márcia contou que visitou Nova Iorque com a família, na cidade do filho, onde conheceu um viveiro de borboletas. “Era um viveiro onde elas voavam em volta das pessoas, em meio a arbustos, flores, folhagens”, descreveu.

A experiência no viveiro foi decisiva para a escolha do tema. “E aquilo me tocou muito, por que borboleta significa o quê? Transformação, libertação, transformação pessoal e metamorfose. E eu lembrei, falei: ‘é isso aqui, são meus alunos'”, explicou Márcia. A arteterapeuta traçou um paralelo entre o processo de metamorfose das borboletas e a trajetória dos alunos no ateliê, que acompanha há anos.
“Porque tem muitos que me acompanham muitos anos atrás e outros que entraram agora mais recentemente. E quando eles chegam na pintura, eles estão ansiosos, com medo, inseguros, achando que não vão conseguir pintar, que vai dar tudo errado”, descreveu. Márcia explicou como o trabalho artístico transforma os participantes ao longo do tempo. “E com o passar do tempo a gente vai trabalhando essas questões, vai pintando, eles vão ficando mais seguros, aprendendo a mexer com as tintas, muitos mudam os desenhos e as figuras, vão criando muitas coisas em cima das telas, desenvolvendo a criatividade e o exercício da arte e evoluindo, acabam se transformando, porque a arte é uma forma de formação individual e eles vão se realizando”, afirmou.

Márcia destacou a evolução dos participantes ao longo dos anos. “Eu falei, vamos fazer o tema da borboleta que está bem dentro do que estamos passando. A arte é uma maneira de transformação, de você acordar uma metamorfose interior com cada um. Aí hoje eles estão super bem”, disse. A arteterapeuta ressaltou que os alunos desenvolveram senso crítico e autonomia. “Hoje eles conseguem visualizar uma tela, ver se ela está sendo foi pintada ou não. Eles conseguem ter uma crítica. Agora vocês já viraram ‘críticos de arte’. Eu quero primeiramente parabenizá-los pelas obras, pelo desenvolvimento dos trabalhos de tempos atrás com agora o que apresentaram, cada ano vocês se superam. Parabéns a todos”, concluiu.
Na ocasião, Márcia aproveitou para apresentar duas escritoras presentes, Ademilde Felix e Daniela Suniga, reforçando que a transformação pessoal pode ocorrer por diferentes meios artísticos. “Não é somente com a arte visual que você consegue melhorar seus consegue se desenvolver e se autoconhecer. Tem várias maneiras para você fazer isso. Uma delas é a escrita”, afirmou. A arteterapeuta encerrou sua fala recitando um trecho da obra de Daniela Suniga.

“Não se abandone para caber no mundo de ninguém. Pegue as rédeas da sua história e tenha a audácia de ser feliz. E se um dia a dúvida te alcançar, lembre-se, você já tem tudo dentro de si. O que falta talvez seja apenas a coragem de se permitir viver a sua verdade”, recitou. “Eu achei que cabia muito no nosso tema. Aqui a gente transforma tudo através da arte”, finalizou Márcia.
