Rafael Lanaro é o primeiro brasileiro a receber o título de Melhor Artigo do Boletim da TIAFT, reconhecendo estudo sobre novas substâncias psicoativas
O farmacêutico Rafael Lanaro, da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar o prêmio de Melhor Artigo do Boletim da Associação Internacional de Toxicologistas Forenses (TIAFT) de 2025. O reconhecimento foi concedido ao trabalho “Derivados de 25X-NBOH no Brasil”, que investiga substâncias emergentes frequentemente confundidas com LSD.
A premiação foi anunciada em novembro, durante o Encontro Anual da TIAFT na Nova Zelândia. Lanaro, que também preside a Sociedade Brasileira de Toxicologia, recebeu certificado e US$ 500 pelo feito.
O estudo preenche uma lacuna importante no conhecimento científico sobre os derivados 25X-NBOH, classe de substâncias psicoativas sintéticas ainda pouco descritas na literatura internacional. “Contribuímos para reduzir a escassez de dados clínicos e toxicológicos sobre esses compostos”, explica Lanaro. “Ao apresentar uma série de casos com confirmação analítica, ampliamos o conhecimento sobre manifestações clínicas, riscos e desafios diagnósticos.”
Os resultados têm aplicação prática imediata para diferentes profissionais. “Fornecemos subsídios para o reconhecimento clínico e analítico das intoxicações por NBOHs, auxiliando laboratórios de toxicologia, profissionais de saúde na tomada de decisões clínicas e órgãos de segurança pública na compreensão do perfil de risco dessas drogas emergentes”, detalha o farmacêutico.
Segundo Lanaro, os próximos passos incluem a ampliação da casuística, a atualização permanente dos estudos analíticos e a integração de dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) de Campinas manterá o monitoramento contínuo do surgimento de novas substâncias psicoativas.

Para Lanaro, a conquista tem significado múltiplo. “Esse reconhecimento representa uma grande honra pessoal, profissional e para o CIATox de Campinas, além de evidenciar a relevância científica do trabalho desenvolvido na Unicamp no cenário internacional da toxicologia forense e clínica.”
O prêmio também fortalece a área no país. “Reforça nossa capacidade de produzir ciência de impacto internacional, baseada em dados reais, integração entre assistência e pesquisa e colaboração entre diferentes áreas do conhecimento”, avalia o premiado.
Ainda segundo Lanaro, para a FCM e a Unicamp, o reconhecimento internacional valoriza a excelência acadêmica e fortalece a visibilidade das pesquisas aqui desenvolvidas, além de estimular a formação de redes globais de colaboração científica.
Sobre a TIAFT
The International Association of Forensic Toxicologists (TIAFT) reúne cerca de 1.800 membros de todas as regiões do mundo que atuam em toxicologia analítica ou áreas afins. A organização promove a cooperação entre profissionais e incentiva a pesquisa em toxicologia forense. Seus membros provêm de departamentos de medicina legal, farmacologia, farmácia, hospitais, laboratórios forenses, polícia e controle antidoping esportivo.
O Boletim da TIAFT é publicado pelo menos três vezes por ano. Para concorrer ao prêmio, membros que submetem artigos ao Boletim são avaliados pelos editores, que selecionam os três melhores trabalhos (um por edição, exceto edições especiais). Os artigos são então submetidos à Diretoria Executiva da TIAFT, que os avalia com base em conteúdo científico, importância e impacto para os membros da associação.
