Novo espaço, financiado pelo Ministério Público do Trabalho, recebe equipamento de ponta para investigar exposições a metais nocivos

A Unicamp inaugurou, em 17 de novembro, o novo Laboratório de Análise de Metais Tóxicos, instalado no prédio da Medicina Translacional, na Faculdade de Ciências Médicas (FCM). O espaço amplia a capacidade do Laboratório de Toxicologia Analítica e do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox-Campinas) para análises complexas de metais que oferecem riscos à saúde humana e ao ambiente.
A implantação do laboratório foi possível graças ao investimento de R$ 1,3 milhão, destinado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) — Procuradoria Regional da 10ª Região — por meio do Termo de Destinação nº 1.2024, em parceria com a Fundação da Área da Saúde de Campinas (FASCAMP). Os recursos permitiram a compra e instalação de um equipamento de ponta: o espectrômetro de massas com plasma induzido de argônio (ICP-MS), tecnologia essencial para identificar, com alta precisão, níveis de metais tóxicos em amostras biológicas e ambientais.
Segundo o Plano de Trabalho aprovado pelo MPT, o laboratório deverá atuar inicialmente em três frentes: atendimento clínico e ocupacional relacionado a chumbo e mercúrio; monitoramento de cobalto e cromo em pacientes com próteses metálicas; e apoio a investigações em oncologia sobre a relação entre metais carcinogênicos e tumores sólidos.

A cerimônia de inauguração contou com a presença do professor José Luiz da Costa, coordenador executivo do CIATox e responsável pelo laboratório; do procurador do trabalho Charles Lustosa Silvestre, responsável pela destinação dos recursos; do professor Erich Vinicius de Paula, diretor associado da FCM; e do professor João Batista de Miranda, superintendente da Fundação da Área da Saúde de Campinas (FASCAMP). Professores colaboradores, pesquisadores, alunos e funcionários também acompanharam a cerimônia.
De acordo com o José Luiz da Costa, a chegada da máquina completa o ciclo de análises disponíveis no laboratório. “A gente conseguia resolver intoxicações em praticamente todas as áreas, mas não conseguia de metais”, explica. Agora, essa barreira foi superada tanto para o atendimento clínico quanto para o desenvolvimento de novas pesquisas científicas.
Charles Lustosa Silvestre destacou a relevância social do investimento, lembrando que a destinação tem como principal objetivo fortalecer ações em saúde pública e pesquisa científica. Em entrevista, ele afirmou que o apoio ao laboratório permitirá “benefícios diretos à população, ao atendimento de pacientes expostos a metais tóxicos e ao desenvolvimento de pesquisas fundamentais para a saúde ambiental, ocupacional e oncológica”. Ele também ressaltou que a parceria entre o MPT, a Unicamp e a FASCAMP “tem potencial de gerar impacto científico e social contínuo, ampliando a capacidade do SUS e da Universidade na investigação de substâncias de interesse toxicológico”.

Com a parceria entre a Faculdade de Ciências Médicas, a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp, a FASCAMP e o Ministério Público do Trabalho, o novo laboratório reforça o compromisso da Universidade com a ciência voltada ao interesse público, ao atendimento pelo SUS e ao avanço do conhecimento em toxicologia, saúde do trabalhador e saúde ambiental.
