Em agosto, a aluna Eduarda Olivia Zechetti Minin, do Laboratório de Biologia Cardiovascular da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, foi premiada no XX Congresso Brasileiro de Aterosclerose. Ela foi primeira autora de dois estudos classificados entre os melhores na categoria pesquisa básica na modalidade oral. A doutoranda do Programa de Pós-graduação em Clínica Médica da FCM é orientada por Roberto Schreiber.
Os estudos apresentados têm o potencial de identificar possíveis alvos terapêuticos para a hipertensão, além de aprofundar a compreensão do papel dos microRNAs na fisiopatologia da doença. Embora os prêmios tenham sido concedidos na categoria de pesquisa básica, os pesquisadores declararam acreditar que, no futuro, esses achados possam ser aplicados na prática clínica e beneficiar diretamente os pacientes hipertensos.
Estudos premiados
Relação entre leptina e insuficiência cardíaca – influência dos microRNAs (1º lugar)
O trabalho avaliou a relação entre a leptina, hormônio produzido pelas células de gordura, e a insuficiência cardíaca (IC), além de investigar a influência dos microRNAs, moléculas de RNA que regulam a expressão gênica, nessa interação. Os resultados indicaram uma associação direta entre a leptina e o Índice de Massa Corpórea (IMC), mostrando que pacientes obesos com IC apresentam níveis mais elevados do hormônio em comparação aos não obesos.

Expressão de microRNAs e relação com subcamadas carotídeas em pacientes hipertensos (2º lugar)
A análise bioinformática revelou que os miRNAs estudados estão associados a genes envolvidos em diferentes vias metabólicas e em funções celulares essenciais, como crescimento, sinalização e metabolismo. Esses achados ampliam a compreensão do papel fisiopatológico dos miRNAs nas subcamadas carotídeas e indicam que essas moléculas podem atuar como potenciais biomarcadores do desenvolvimento da aterosclerose.
“O reconhecimento foi muito bom, uma sensação de dever cumprido, e uma motivação a mais para continuar me empenhando na pesquisa mesmo com todas as dificuldades. Essa conquista não é só minha, mas de todo o time do laboratório, de todos que me ajudaram a chegar até aqui”, declarou Eduarda.
Roberto ressalta que, além dos desafios comuns à pesquisa no Brasil — como a limitação de recursos financeiros e a queda no interesse de novos alunos —, foi necessário padronizar metodologias específicas para o estudo dos microRNAs. Ele destaca que contar com uma equipe multidisciplinar foi fundamental para dar continuidade aos estudos e reforça a importância da dedicação intensa dos alunos aos projetos, sem os quais nada disso teria sido possível.

“Essa premiação representa o reconhecimento do trabalho de toda a equipe responsável pelo estudo, representada pela doutoranda Eduarda Minin. É um importante incentivo para seguirmos com ainda mais motivação nas pesquisas do Laboratório de Biologia Cardiovascular. Também valoriza o esforço e a competência do nosso grupo nos estudos com microRNAs, levando consigo o nome do programa de pós-graduação, da Faculdade de Ciências Médicas e da Unicamp”, finalizou o biólogo.
O Congresso
Realizado nos dias 22 e 23 de agosto, em Campos do Jordão (SP), o XX Congresso Brasileiro de Aterosclerose foi promovido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. O evento promoveu integração entre expositores, palestrantes e participantes, com foco na discussão e no aprofundamento dos temas obesidade e aterosclerose. O objetivo foi aprimorar o conhecimento científico dos congressistas, preparando-os para contribuir na redução das elevadas taxas de complicações associadas às doenças cardiovasculares.
