
No dia 29 de julho, o Anfiteatro I da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp sediou uma conferência com o neurocientista Peter Keller, professor titular da Universidade Aarhus (Dinamarca) e diretor do Centro de Música e Cérebro. O evento, intitulado “Fundamentos Sociais e Neurais da Interação Musical”, explorou como a música ativa processos cerebrais complexos e promove conexões sociais, unindo áreas como neurociência, psicologia e medicina.
Keller, que também é músico profissional (trombonista), apresentou pesquisas inovadoras sobre sincronização rítmica, destacando como o cérebro humano coordena movimentos precisos durante interações musicais. “A música é um microcosmo da interação social. Ela exige processos sensoriais, cognitivos e emocionais que estão presentes em outras formas de comunicação, mas de maneira intensificada”, explicou.

Um dos estudos apresentados investigou como corais infantis ajustam suas vozes na presença de plateias, revelando mudanças sutis na frequência sonora quando meninas assistiam às performances. “Isso remete à hipótese de Darwin sobre a música como ferramenta de seleção sexual, mas também mostra que cooperação e competição podem coexistir”, comentou Keller, citando exemplos de pássaros e grilos.
O pesquisador ainda abordou aplicações clínicas, como o uso de ritmos para melhorar a mobilidade de pacientes com Parkinson. “A música com batidas marcantes ajuda a regular o caminhar, mas a resposta varia entre indivíduos. Nosso modelo matemático pode prever quem se beneficiará mais”, destacou.
A conferência, realizada em inglês com tradução pontual, contou com a mediação do professor Paulo Dalgalarrondo, do Departamento de Psiquiatria da FCM, que ressaltou a relevância interdisciplinar do tema: “Esse diálogo entre neurociência e arte abre novas perspectivas para entender tanto a cognição humana quanto terapias inovadoras”.

