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O neurocientista Peter Keller apresenta uma palestra no Anfiteatro I da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. Ele está de pé, à esquerda do auditório, usando camisa branca e segurando um microfone, enquanto aponta para uma tela com o título “Temporal Anticipation & Working Memory”. O slide mostra gráficos de correlação entre memória de trabalho e antecipação temporal, além de imagens cerebrais e nomes de autores, incluindo “Lüser, Dalla Bella, Keller, Villringer, Obrig, & Engel (2024)”. A plateia assiste atenta, e uma pessoa registra o momento com o celular.

No dia 29 de julho, o Anfiteatro I da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp sediou uma conferência com o neurocientista Peter Keller, professor titular da Universidade Aarhus (Dinamarca) e diretor do Centro de Música e Cérebro. O evento, intitulado “Fundamentos Sociais e Neurais da Interação Musical”, explorou como a música ativa processos cerebrais complexos e promove conexões sociais, unindo áreas como neurociência, psicologia e medicina.

Keller, que também é músico profissional (trombonista), apresentou pesquisas inovadoras sobre sincronização rítmica, destacando como o cérebro humano coordena movimentos precisos durante interações musicais. “A música é um microcosmo da interação social. Ela exige processos sensoriais, cognitivos e emocionais que estão presentes em outras formas de comunicação, mas de maneira intensificada”, explicou.

Visão geral do auditório durante a conferência de Peter Keller na Unicamp. O professor está em pé à esquerda, diante de uma projeção com o título “The Heart of Musical Interaction: Rhythmic Interpersonal Coordination”. O slide mostra várias imagens de pessoas interagindo musicalmente. O público, composto por pessoas de diversas idades, está sentado em cadeiras azuis, assistindo à apresentação. Bandeiras do Brasil e do estado de São Paulo estão posicionadas no canto esquerdo da sala.

Um dos estudos apresentados investigou como corais infantis ajustam suas vozes na presença de plateias, revelando mudanças sutis na frequência sonora quando meninas assistiam às performances. “Isso remete à hipótese de Darwin sobre a música como ferramenta de seleção sexual, mas também mostra que cooperação e competição podem coexistir”, comentou Keller, citando exemplos de pássaros e grilos.

O pesquisador ainda abordou aplicações clínicas, como o uso de ritmos para melhorar a mobilidade de pacientes com Parkinson. “A música com batidas marcantes ajuda a regular o caminhar, mas a resposta varia entre indivíduos. Nosso modelo matemático pode prever quem se beneficiará mais”, destacou.

A conferência, realizada em inglês com tradução pontual, contou com a mediação do professor Paulo Dalgalarrondo, do Departamento de Psiquiatria da FCM, que ressaltou a relevância interdisciplinar do tema: “Esse diálogo entre neurociência e arte abre novas perspectivas para entender tanto a cognição humana quanto terapias inovadoras”.

Três homens posam sorrindo em frente a uma parede de projeção que exibe logotipos de instituições e projetos científicos. À esquerda, um homem de óculos e barba grisalha veste boina preta, blazer cinza e camisa jeans. Ao centro, um homem mais jovem, de camisa branca, sorri com os braços ao redor dos outros dois. À direita, um homem mais velho de barba branca usa camisa bege e segura os óculos na mão direita. No fundo, aparecem logotipos como “Seventh Framework Programme”, “Erasmus Mundus” e o “Center for Music in the Brain (MIB)”
Na imagem, da esquerda para a direita, o professor do Departamento de Psiquiatria da FCM, Paulo Dalgalarrondo, o professor Peter Keller, e o professor titular de Ecologia da Unicamp, Thomas Lewinsohn/Foto: Camila Delmondes
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